Monitorização folicular no ultrassom: o que medir e como registrar a evolução
Como planejar os exames seriados da monitorização folicular, como medir o folículo dominante e o endométrio, quais sinais indicam ovulação e como organizar o laudo para que o especialista acompanhe o ciclo de relance.
Este artigo faz parte do guia Ultrassom ginecológico: o guia completo, do útero aos ovários.
A monitorização folicular acompanha, por ultrassonografias seriadas, o crescimento dos folículos e do endométrio ao longo do ciclo. É usada no ciclo natural, no coito programado, na inseminação intrauterina e na estimulação ovariana. O especialista decide o momento da ovulação e a conduta a partir desses números, por isso a medida precisa ser feita sempre do mesmo jeito e o laudo precisa mostrar a evolução.
O exame basal
No início do ciclo, em geral entre o 2º e o 4º dia, o exame basal confirma que não há cistos funcionais que atrapalhem a estimulação, registra o endométrio fino da fase menstrual e, quando pedido, a contagem de folículos antrais.
Os exames seriados
- Começam por volta do 8º ao 10º dia, ou conforme o protocolo do especialista.
- O folículo dominante costuma se destacar a partir de cerca de 10 mm e cresce, em média, perto de 1,5 a 2 mm por dia.
- O folículo pré-ovulatório, no ciclo natural, costuma ficar em torno de 18 a 24 mm. Com medicação, os valores de referência mudam e quem define o momento do disparo é o especialista.
Como medir
- Cada folículo é medido em dois ou três diâmetros ortogonais, e o laudo informa o diâmetro médio.
- Os folículos são listados por ovário, do maior para o menor. Folículos pequenos podem ser apenas contados.
- O endométrio é medido no corte longitudinal, na maior espessura, e descrito quanto ao padrão: o padrão trilaminar costuma acompanhar a fase folicular tardia.
Sinais de ovulação
- Desaparecimento ou redução do folículo dominante.
- Formação de corpo lúteo, com paredes espessas e vascularização periférica ao Doppler.
- Pequena quantidade de líquido livre no fundo de saco.
Situações que devem ser destacadas
- Muitos folículos grandes num ciclo de baixa complexidade, pelo risco de gestação múltipla e de hiperestimulação.
- Folículo que cresce e não rompe (folículo luteinizado não roto).
- Cisto que persiste desde o exame basal.
- Endométrio fino ou com lesão focal (pólipo).
O laudo: uma tabela por exame
O que mais ajuda o especialista é ver o ciclo inteiro numa olhada. Cada exame deve trazer a data, o dia do ciclo, a medicação em uso quando informada, os folículos de cada ovário com o diâmetro médio e a espessura e o padrão do endométrio. Em formato de tabela, a evolução aparece sem precisar abrir os laudos anteriores.
Erros comuns
- Medir o folículo num só diâmetro.
- Não informar o dia do ciclo.
- Misturar folículos dos dois ovários numa lista só.
- Deixar de citar o líquido livre e o corpo lúteo depois da ovulação.
- Não destacar o excesso de folículos grandes.
Veja também o nosso texto sobre histerossonografia e HyCoSy na infertilidade.
Como o Laudário ajuda

No modelo de monitorização folicular do Laudário:
- Ovários, folículos e endométrio em abas próprias, dentro do laudo transvaginal.
- Medidas em campos próprios, com a frase montada a partir delas.
- Recomendações em aba própria.
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