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Endométrio espessado e pólipo endometrial: o que medir, os cortes certos e o que recomendar

A espessura do endométrio só tem sentido com a fase do ciclo e o status menopausal. O corte de 4 mm e quando ele vale, o pedículo vascular do pólipo, o diferencial com mioma submucoso e os sinais de alerta.

LaudárioLaudos de ultrassom na prática 15 de agosto de 2026 4 min de leitura

Este artigo faz parte do guia Ultrassom ginecológico: o guia completo, do útero aos ovários.

"Endométrio espessado" é uma das frases que mais geram encaminhamento para histeroscopia, e também uma das mais mal interpretadas. A espessura do endométrio só tem significado quando se sabe em que fase a paciente está: um endométrio de 12 mm é esperado na fase secretora de uma mulher de 30 anos e é um sinal de alerta numa mulher de 60 anos com sangramento.

Este texto mostra como medir, quais valores usar em cada situação, como descrever o pólipo e o que recomendar.

Como medir

  • Corte sagital do útero, na maior espessura.
  • Medir as duas camadas de endométrio, de interface a interface com o miométrio.
  • Se houver líquido na cavidade, medir as duas camadas separadamente e somar, excluindo o líquido.
  • Registrar a medida em milímetros, com o aspecto (trilaminar, homogêneo, heterogêneo) e a regularidade da interface endométrio-miométrio.

Uma medida isolada, sem aspecto e sem contexto, é a principal origem de laudos alarmistas.

Na menacme: a fase do ciclo muda tudo

Em mulheres que menstruam, o endométrio varia de cerca de 4 mm no pós-menstrual a 14 mm ou mais na fase secretora. Por isso, a data da última menstruação deve estar no laudo, e o aspecto trilaminar (fase proliferativa) ou hiperecogênico homogêneo (fase secretora) ajuda a interpretar.

Na menacme não existe um corte único de espessura. O que motiva investigação é a lesão focal (pólipo, mioma submucoso) ou a heterogeneidade inesperada, e não o número isolado. Quando há dúvida, repetir o exame logo após a menstruação, quando o endométrio está fino, mostra melhor lesões focais.

Na pós-menopausa

Aqui o número importa, e o contexto clínico define o corte:

  • Com sangramento: endométrio de até 4 mm, homogêneo e bem visualizado, tem valor preditivo negativo alto para câncer de endométrio. Acima disso, ou mal visualizado, recomenda-se investigação (biópsia ou histeroscopia).
  • Sem sangramento: o corte de 4 mm não se aplica diretamente, e endométrios um pouco mais espessos são frequentes e geralmente benignos. Valores mais altos (muitos serviços usam em torno de 11 mm) ou achados focais justificam investigação, conforme o contexto e os fatores de risco.
  • Terapia hormonal e tamoxifeno: alteram o endométrio. O tamoxifeno produz um aspecto cístico subendometrial característico, que deve ser descrito como tal.

O laudo deve informar se a paciente está na pós-menopausa, se há sangramento e se usa hormônio, porque cada combinação tem uma leitura diferente.

Pólipo endometrial

É a lesão focal mais comum da cavidade. Os sinais que o identificam:

  • Lesão hiperecogênica, ovalada, bem delimitada, dentro da cavidade.
  • Interface endometrial preservada ao redor.
  • Pedículo vascular único ao Doppler (o "vaso nutridor"), o sinal mais característico.
  • Às vezes, pequenos cistos no interior.

O laudo descreve a localização (parede, fundo, cornos), as medidas e o pedículo. Pólipos pequenos podem não ser vistos com o endométrio espesso da fase secretora, e a histerossonografia (com instilação de soro na cavidade) aumenta muito a acurácia.

Pólipo ou mioma submucoso?

  • Pólipo: hiperecogênico, endométrio contínuo sobre ele, pedículo vascular único.
  • Mioma submucoso: hipoecoico, com sombras, recoberto pelo endométrio, vascularização periférica e origem no miométrio.

A diferença importa na histeroscopia: o pólipo é ressecado facilmente; o mioma tipo 2 pode exigir mais de um tempo cirúrgico.

Sinais de alerta

Alguns achados sugerem hiperplasia ou neoplasia e devem estar destacados na impressão diagnóstica:

  • Endométrio heterogêneo e irregular.
  • Interface endométrio-miométrio irregular ou interrompida.
  • Vascularização difusa ou múltiplos vasos (multifocal) ao Doppler.
  • Coleção na cavidade em paciente pós-menopausa.

A terminologia IETA (International Endometrial Tumor Analysis) padroniza a descrição desses achados e vale como referência para o laudo.

Erros comuns

  • "Endométrio espessado" sem a fase do ciclo ou o status menopausal.
  • Somar o líquido na medida.
  • Pólipo sem o pedículo vascular.
  • Aplicar o corte de 4 mm em paciente sem sangramento.
  • Não recomendar investigação diante de endométrio acima do corte com sangramento.

Veja também o nosso texto sobre histerossonografia e HyCoSy.

Como o Laudário ajuda

Nos modelos de pelve feminina do Laudário:

  • Espessura e aspecto do endométrio com a fase do ciclo e o status menopausal.
  • Pólipo endometrial com localização, medidas e pedículo vascular.
  • Modelo de histerossonografia para a avaliação da cavidade.
  • Recomendações em aba própria.

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