Contagem de folículos antrais no ultrassom: reserva ovariana e como laudar
Quando fazer a contagem de folículos antrais, quais folículos entram na conta, como interpretar a contagem total na avaliação da reserva ovariana e o que o laudo precisa informar para o especialista em reprodução.
Este artigo faz parte do guia Ultrassom ginecológico: o guia completo, do útero aos ovários.
A contagem de folículos antrais (CFA, ou AFC na literatura em inglês) é, ao lado do hormônio antimülleriano, o principal marcador da reserva ovariana. Ela ajuda a prever a resposta à estimulação ovariana e orienta a escolha da dose na reprodução assistida. É uma medida simples, mas que depende de técnica e de um laudo que diga como foi feita.
Quando fazer
- Na fase folicular precoce, em geral entre o 2º e o 5º dia do ciclo.
- Por via transvaginal, com transdutor de boa resolução.
- O laudo deve registrar o dia do ciclo e se a paciente usa anticoncepcional hormonal, que reduz a contagem e pode subestimar a reserva.
O que entra na conta
Contam-se os folículos com 2 a 10 mm de diâmetro médio em cada ovário, varrendo o ovário inteiro de uma borda à outra para não contar o mesmo folículo duas vezes. Folículos maiores, cistos funcionais e corpo lúteo não entram na contagem e devem ser descritos à parte.
O resultado é informado por ovário e como contagem total (soma dos dois).
Como interpretar
Os pontos de corte variam entre estudos e protocolos, mas na prática a contagem total costuma ser lida assim:
- Muito baixa (até cerca de 4) e baixa (cerca de 5 a 6): reserva reduzida, com expectativa de resposta baixa à estimulação.
- Normal: cerca de 7 a 19.
- Alta: 20 ou mais, com risco de resposta exagerada à estimulação e de síndrome de hiperestimulação ovariana.
Por ovário, é comum descrever o padrão como oligofolicular (poucos folículos), normofolicular ou multifolicular.
A CFA alta não é sinônimo de síndrome dos ovários policísticos. A morfologia policística tem critério próprio (número de folículos por ovário e volume ovariano, com transdutores de alta frequência) e o diagnóstico da síndrome depende também da clínica e dos exames laboratoriais.
Outras informações úteis
- Volume de cada ovário.
- Cistos, endometriomas ou outras lesões que possam limitar a contagem.
- Ovário de difícil acesso (alto, retrouterino), que é uma limitação técnica e deve ser citado.
- Espessura e aspecto do endométrio, quando o exame faz parte do preparo para tratamento.
Erros comuns
- Não informar o dia do ciclo nem o uso de anticoncepcional.
- Contar folículos maiores que 10 mm ou cistos como folículos antrais.
- Informar só o total, sem a contagem de cada ovário.
- Chamar contagem alta de "ovários policísticos" sem os critérios.
- Omitir que um dos ovários foi mal visualizado.
Veja também os nossos textos sobre ovários policísticos e sobre histerossonografia e HyCoSy na infertilidade.
Como o Laudário ajuda

No modelo de avaliação da reserva ovariana do Laudário:
- Número de folículos por ovário, com o padrão (oligo, normo ou multifolicular) classificado na hora.
- Contagem total somada e classificada automaticamente.
- Ovários, antecedentes e indicação nas mesmas abas do laudo transvaginal.
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