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Torção ovariana no ultrassom: os sinais que importam e por que o Doppler normal não a exclui

Ovário aumentado e edemaciado, folículos periféricos, sinal do redemoinho e massa associada: os achados que sustentam a suspeita, as armadilhas do Doppler e como redigir um laudo de urgência.

LaudárioLaudos de ultrassom na prática 3 de agosto de 2026 3 min de leitura

Este artigo faz parte do guia Ultrassom ginecológico: o guia completo, do útero aos ovários.

A torção ovariana é uma emergência em que o tempo até a cirurgia define se o ovário será preservado. O ultrassom é o primeiro exame, e o laudo precisa ser claro: sustenta ou não a suspeita. O erro mais perigoso é tranquilizar a equipe porque "há fluxo ao Doppler".

Os achados que sustentam a suspeita

  • Ovário aumentado, com volume claramente maior que o contralateral. É o achado mais consistente.
  • Estroma edemaciado e heterogêneo, com folículos deslocados para a periferia.
  • Massa associada, que funciona como ponto de alavanca: cistos funcionais, teratoma maduro e outras lesões anexiais, em geral acima de 5 cm.
  • Sinal do redemoinho: o pedículo vascular torcido, visto como estrutura arredondada em espiral, com os vasos girando ao Doppler. É um dos sinais mais específicos.
  • Posição anômala do ovário, por exemplo na linha média ou acima do útero.
  • Líquido livre na pelve.

O Doppler: presença de fluxo não exclui torção

O ovário tem dupla irrigação, pelas artérias ovariana e uterina, e a torção pode ser parcial ou intermitente. Por isso, fluxo arterial e venoso preservados são descritos em uma parcela importante das torções confirmadas na cirurgia. A ausência de fluxo venoso, ou de qualquer fluxo, reforça muito a suspeita, mas a presença de fluxo não afasta o diagnóstico quando a clínica e a morfologia apontam para torção.

Situações especiais

  • Crianças e adolescentes: a torção pode ocorrer em ovário sem lesão associada.
  • Gestantes: o risco é maior no primeiro trimestre, em especial com cisto do corpo lúteo volumoso ou após indução da ovulação.
  • Hiperestimulação ovariana: ovários muito aumentados por múltiplos cistos têm risco aumentado de torção.

O que escrever

  • Volume dos dois ovários, para a comparação.
  • Aspecto do estroma, distribuição dos folículos e massa associada, com medidas.
  • Presença ou não do sinal do redemoinho.
  • Doppler arterial e venoso, descrito como achado, sem conclusão de "torção afastada".
  • Na impressão, quando os achados sustentam a suspeita: "achados compatíveis com torção anexial", com recomendação de avaliação ginecológica de urgência.

Achados de urgência devem ser comunicados diretamente à equipe assistente, além de constarem no laudo.

Erros comuns

  • Concluir "sem sinais de torção" porque há fluxo ao Doppler.
  • Não medir o ovário contralateral.
  • Descrever a massa anexial e esquecer de avaliar o pedículo.

Veja também os textos sobre ultrassom pélvico transvaginal e O-RADS.

Como o Laudário ajuda

Nos modelos de pelve feminina transvaginal e suprapúbica do Laudário:

  • Volume ovariano calculado para os dois lados.
  • Massas anexiais e Doppler em campos próprios.
  • Impressão diagnóstica e recomendações separadas dos achados.

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