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Ventriculomegalia fetal: medida do átrio, graus e o que escrever no laudo

Como medir o átrio do ventrículo lateral, os graus usados pela SMFM, o que a ISUOG define, a avaliação associada e o que o laudo precisa registrar.

LaudárioLaudos de ultrassom na prática 1 de novembro de 2026 4 min de leitura

Este artigo faz parte do guia Ultrassom obstétrico: o guia dos três trimestres, da datação ao Doppler.

A ventriculomegalia fetal é definida pela largura do átrio do ventrículo lateral igual ou maior que 10 mm, e a ISUOG considera normal a medida abaixo de 10 mm em toda a gestação. O número isolado não fecha o diagnóstico: o laudo precisa da medida correta, do lado, do grau e do que foi avaliado junto.

Como medir o átrio

  • Plano axial transventricular, avaliando o átrio distal ao transdutor.
  • Medir no nível do glomo do plexo coroide, perpendicular ao eixo do ventrículo, na parte mais larga.
  • Calipers na borda interna das paredes (interno a interno).
  • A média fica entre 6 e 8 mm, estável no segundo e no início do terceiro trimestre.
  • Pela ISUOG, assimetria moderada é normal se os dois átrios medem menos de 10 mm. A medida pode aumentar ou diminuir ao longo da gestação.

Graus da ventriculomegalia fetal: ISUOG e SMFM

A diretriz de rastreio da ISUOG (Parte 1) não gradua: trata 10 mm ou mais como suspeito e indica neurossonografia dirigida. A graduação abaixo vem da SMFM, que a sugere para o aconselhamento, e de séries clínicas, que não usam exatamente os mesmos limites.

GrauSMFM 2018Gaglioti 2005
Leve10 a 12 mm10 a 12 mm
Moderada13 a 15 mm12,1 a 14,9 mm
Graveacima de 15 mm15 mm ou mais

Como os limites divergem entre as fontes, escreva sempre a medida em milímetros junto do grau.

Avaliação associada

  • Anatomia: exame detalhado por profissional experiente, incluindo ventrículos, corpo caloso, cerebelo, coração e crescimento.
  • Genética: a SMFM recomenda oferecer amniocentese com microarray. Cerca de 5% dos casos aparentemente isolados, leves a moderados, têm cariótipo alterado, e outros 10 a 15% têm alteração no microarray.
  • Infecção: pesquisa de citomegalovírus e toxoplasmose, independentemente de sintomas ou exposição.
  • Ressonância: a SMFM sugere considerá-la nos casos leves e moderados, com menor ganho após exame especializado. A ISUOG orienta que seja indicada pelo especialista que fez a neurossonografia, e não apenas por suspeita no rastreio.
  • Seguimento: ultrassom seriado para ver progressão, estabilidade ou regressão. Via e momento do parto seguem as indicações obstétricas habituais.

Prognóstico

Pela SMFM, nos casos isolados a chance de neurodesenvolvimento normal é maior que 90% entre 10 e 12 mm e de 75 a 93% entre 13 e 15 mm. A meta-análise de Pagani, que definiu leve como 10 a 15 mm, encontrou atraso em 7,9% dos casos isolados. A variante normal só é diagnóstico de exclusão após o nascimento, então "isolada" no laudo significa apenas sem outro achado até aquele exame.

O que o laudo deve trazer

  • Medida de cada átrio em mm e idade gestacional.
  • Lado (unilateral, bilateral, assimétrica) e grau.
  • Aspecto dos cornos, terceiro e quarto ventrículos, quando avaliados.
  • Corpo caloso, fossa posterior e demais estruturas, ou o que não foi caracterizado.
  • Comparação com exame anterior, se houver.
  • Exemplo de conclusão: "Ventriculomegalia leve à direita (átrio de 11 mm), sem outra anomalia identificada ao exame atual."

Erros comuns

  • Colocar os calipers no meio ou por fora das paredes.
  • Medir atrás do glomo, onde o ventrículo é mais estreito, ou fora da perpendicular.
  • Avaliar só o átrio distal após já ter encontrado a dilatação, sem descrever o outro lado.
  • Escrever o grau sem a medida.
  • Chamar de isolada ou de benigna antes da avaliação completa.

Veja também os textos sobre o laudo morfológico do segundo trimestre e o ultrassom transfontanelar.

Como o Laudário ajuda

No modelo de neurossonografia fetal do Laudário:

  • Átrio direito e esquerdo em campos próprios, com a classe (habitual, leve, moderada, grave) exibida ao digitar.
  • Cornos, plexos coroides, aqueduto e a marcação de ventriculomegalia isolada entram no texto e na conclusão.
  • No morfológico do segundo trimestre, a medida do átrio também ajusta a frase dos ventrículos e a conclusão; nele a faixa moderada vai de acima de 12 até 15 mm.

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Referências

  • Malinger G, et al. ISUOG Practice Guidelines (updated): sonographic examination of the fetal central nervous system. Part 1. Ultrasound Obstet Gynecol. 2020;56:476-484.
  • SMFM, Fox NS, et al. Consult Series #45: Mild fetal ventriculomegaly: diagnosis, evaluation, and management. Am J Obstet Gynecol. 2018;219(1):B2-B9.
  • Gaglioti P, et al. Fetal cerebral ventriculomegaly: outcome in 176 cases. Ultrasound Obstet Gynecol. 2005;25:372-377.
  • Pagani G, et al. Neurodevelopmental outcome in isolated mild fetal ventriculomegaly: systematic review and meta-analysis. Ultrasound Obstet Gynecol. 2014;44:254-260.
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Quem escreve Dr. Leander Maguetas CRM-SP 224546 · RQE 132630 · Ultrassonografia geral

Médico com RQE em ultrassonografia geral. Escreve no blog do Laudário sobre laudos, classificações e padronização. Quem escreve e como.

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