Artéria umbilical única: como confirmar, associações e seguimento
Como confirmar a artéria umbilical única no corte do cordão e ao redor da bexiga, o que procurar junto, por que as fontes divergem no seguimento e o que registrar no laudo.
Este artigo faz parte do guia Ultrassom obstétrico: o guia dos três trimestres, da datação ao Doppler.
A artéria umbilical única é o cordão com uma artéria e uma veia, confirmado no corte transversal do cordão ou com Doppler colorido ao redor da bexiga fetal. A SMFM cita incidência de 0,25 a 1% nas gestações únicas e de até 4,6% nas gemelares. A pergunta que define a conduta é se o achado é isolado.
Como confirmar
- Corte transversal do cordão: duas luzes em vez de três.
- Doppler colorido na pelve fetal: apenas uma artéria contornando a bexiga. A SMFM observa que esse recurso permite a detecção mesmo em idades gestacionais precoces.
- Lado: a ISUOG descreve a ausência mais frequente da esquerda, mas ao menos uma série mostrou proporção semelhante entre os lados. As fontes consultadas não associam o lado a uma conduta diferente.
Isolada ou associada
Pela SMFM, isolado é o marcador sem anomalia estrutural, restrição de crescimento ou outro marcador após exame detalhado. Por isso, o achado é indicação de avaliação anatômica cuidadosa.
- As anomalias concomitantes envolvem mais os sistemas cardiovascular e renal.
- Coração: com as vistas exigidas adequadas e normais, a SMFM considera que a ecocardiografia fetal não é rotineiramente necessária.
- Com anomalia estrutural associada, a frequência de aneuploidia varia de 4 a 50%.
- Isolada: sem aumento aparente do risco de aneuploidia. A SMFM não recomenda avaliação adicional, mesmo com rastreio recusado, e a meta-análise de Voskamp (928 gestações) também não encontrou aumento, com ressalva de heterogeneidade.
Seguimento da artéria umbilical única: onde as fontes divergem
| Fonte | Posição |
|---|---|
| SMFM 2021 | Ultrassom de terceiro trimestre para crescimento e considerar vigilância semanal a partir de 36 semanas. |
| ISUOG 2022 | Sem consenso sobre o impacto no desfecho; evitar causar ansiedade se não houver anomalia associada ou restrição. |
| Voskamp 2013 | Pequeno para a idade e mortalidade perinatal mais frequentes, sem significância; avaliação dirigida de crescimento não deveria ser rotina. |
A própria SMFM reconhece evidência conflitante para restrição de crescimento e justifica a recomendação pelo risco de óbito fetal: em estudo caso-controle populacional, a razão de chances foi de 4,80. Ela orienta avisar o pediatra no parto; em um estudo, até 7% tiveram anomalia estrutural no exame pós-natal. Na prática, o seguimento depende do protocolo local e do médico assistente.
O que o laudo deve trazer
- Número de vasos e como foi confirmado (corte do cordão, Doppler na pelve).
- Rins, bexiga e coração: descrição do que foi visto ou do que não foi caracterizado.
- Biometria, peso estimado e líquido amniótico.
- Se é isolada até aquele exame, sem afirmar mais do que o exame permite.
- Exemplo de conclusão: "Artéria umbilical única, sem outras anomalias identificadas ao exame atual."
- Recomendações na aba própria, citando a diretriz seguida.
Erros comuns
- Não checar a pelve com Doppler colorido quando o corte do cordão deixa dúvida.
- Chamar de isolada sem ter visto coração e rins.
- Indicar pesquisa de aneuploidia apenas pelo achado isolado.
- Omitir o achado da conclusão, de onde ele chega ao pediatra.
- Apresentar o achado à gestante como anomalia: a ISUOG lembra que ele não é uma anomalia em si.
Veja também os textos sobre restrição de crescimento fetal e Doppler obstétrico.
Como o Laudário ajuda
Nos modelos obstétrico e morfológico do segundo trimestre do Laudário, a aba Cordão traz:
- Vasos em opções: três vasos, artéria umbilical única, mais de três vasos ou não avaliado.
- Ao marcar artéria umbilical única, a descrição muda e a conclusão registra o achado.
- O modelo gemelar registra os vasos de cada feto, e a inserção placentária tem campo próprio.
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Referências
- SMFM, Prabhu M, et al. Consult Series #57: Evaluation and management of isolated soft ultrasound markers for aneuploidy in the second trimester. Am J Obstet Gynecol. 2021;225(4):B2.
- ISUOG Practice Guidelines (updated): performance of the routine mid-trimester fetal ultrasound scan. Ultrasound Obstet Gynecol. 2022;59:840-856.
- Voskamp BJ, et al. Relationship of isolated single umbilical artery to fetal growth, aneuploidy and perinatal mortality: systematic review and meta-analysis. Ultrasound Obstet Gynecol. 2013;42(6):622-628.