Cisto de plexo coroide: achado isolado, trissomia 18 e como laudar
O que é o cisto de plexo coroide, quando ele é só uma variante, o que a literatura diz sobre trissomia 18, a conduta conforme o rastreio e como escrever no laudo.
Este artigo faz parte do guia Ultrassom obstétrico: o guia dos três trimestres, da datação ao Doppler.
O cisto de plexo coroide é uma pequena imagem anecoica no plexo coroide do ventrículo lateral, vista em cerca de 1 a 2% dos fetos no segundo trimestre. Pela SMFM, quando isolado e com rastreio negativo, é uma variante normal sem importância clínica. O que muda a leitura é o que aparece junto e o resultado do rastreio.
O achado
- Pode ser único ou múltiplo, unilateral ou bilateral, e costuma medir menos de 1 cm.
- Não é considerado anormalidade estrutural ou funcional do cérebro.
- Quase todos desaparecem até 28 semanas.
- Em crianças euploides, os estudos citados pela SMFM não mostraram diferença em cognição, motricidade ou comportamento.
Cisto de plexo coroide como marcador de trissomia 18
O cisto está presente em 30 a 50% dos fetos com trissomia 18, mas nesses fetos quase sempre há múltiplas anomalias: cardiopatia, mãos fechadas, pé torto, restrição de crescimento, polidrâmnio. Com anomalia estrutural associada, a razão de verossimilhança positiva citada é de 66.
No achado isolado, as fontes divergem:
- Estudos antigos: risco de 1 em 200 a 1 em 400.
- Meta-análise de 1999 (Yoder): razão de verossimilhança de 13,8.
- Estudos mais recentes reunidos pela SMFM: de 0,9 a 5,6, com melhor estimativa abaixo de 2, considerada risco mínimo.
O cisto não altera o risco de trissomia 21. Tamanho, complexidade, lateralidade e persistência não modificam o risco de trissomia 18.
Conduta conforme o rastreio
| Cenário | SMFM 2021 |
|---|---|
| Isolado, rastreio sérico ou DNA livre negativo | Sem avaliação adicional, sem ultrassom de controle e sem avaliação pós-natal. |
| Isolado, sem rastreio prévio | Aconselhamento sobre a probabilidade de trissomia 18 e discussão de DNA livre, ou teste quádruplo se indisponível. |
| Com outro marcador ou anomalia | Não é isolado: abordagem individualizada. |
A SMFM não recomenda teste diagnóstico apenas por esse achado, embora a paciente possa solicitá-lo. O documento é americano, e a oferta de testes varia conforme o serviço. Para considerar o cisto isolado, é preciso um exame morfológico detalhado.
O que o laudo deve trazer
- Lado e número; medida, se o serviço costuma registrar.
- Revisão dirigida: coração, mãos, pés, crescimento e líquido amniótico.
- Se é o único achado até aquele exame.
- Resultado do rastreio, quando informado.
- Exemplo de descrição: "Imagem cística no interior do plexo coroide à direita, medindo 4 mm."
- Exemplo de conclusão: "Cisto de plexo coroide à direita, sem outros achados ao exame atual."
Erros comuns
- Laudar como anomalia cerebral.
- Pedir controle seriado do cisto com rastreio negativo.
- Usar tamanho ou bilateralidade para aumentar o risco.
- Declarar o achado isolado sem ver bem mãos, pés e coração.
- Calcular risco sem considerar o rastreio já feito.
Veja também os textos sobre o laudo morfológico do segundo trimestre, o rastreio do primeiro trimestre e o guia do ultrassom obstétrico.
Como o Laudário ajuda
Não há um modelo exclusivo para esse achado: ele é registrado dentro dos modelos que avaliam o cérebro fetal no Laudário.
- Morfológico do segundo e do terceiro trimestre: opção de cistos do plexo coroide, com campos de medida.
- Neurossonografia fetal: cisto com lado (direito, esquerdo, bilateral) e medida de cada lado.
- Em ambos, a descrição e a conclusão saem do que foi marcado.
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Referências
- SMFM, Prabhu M, et al. Consult Series #57: Evaluation and management of isolated soft ultrasound markers for aneuploidy in the second trimester. Am J Obstet Gynecol. 2021;225(4):B2.
- Yoder PR, et al. The second-trimester fetus with isolated choroid plexus cysts: a meta-analysis of risk of trisomies 18 and 21. Obstet Gynecol. 1999;93(5 Suppl):869-872.