Intussuscepção intestinal na criança: o sinal do alvo, o que medir e o que laudar
Como pesquisar a intussuscepção ileocólica no ultrassom, os sinais do alvo e do pseudorrim, como diferenciá-la da intussuscepção transitória do intestino delgado e quais achados mudam a conduta da redução.
A intussuscepção é a causa mais comum de obstrução intestinal entre os 6 meses e os 3 anos. O ultrassom tem sensibilidade muito alta, não usa radiação e, em muitos serviços, também guia a redução hidrostática. O laudo precisa confirmar ou afastar o diagnóstico e trazer os achados que influenciam a decisão entre redução e cirurgia.
Técnica
- Transdutor linear de alta frequência, varrendo o trajeto do cólon: fossa ilíaca direita, flanco direito, quadrante superior direito, epigástrio e cólon esquerdo.
- A intussuscepção ileocólica costuma estar no quadrante superior direito, perto do fígado.
- Avaliar também a fossa ilíaca direita para localizar o ceco.
Os sinais
- Sinal do alvo (ou da rosquinha) no corte transversal: anéis concêntricos formados pelas paredes das alças, em geral com 3 a 5 cm de diâmetro.
- Sinal do pseudorrim no corte longitudinal.
- Gordura mesentérica e linfonodos arrastados para dentro da intussuscepção.
Ileocólica ou transitória do delgado
Intussuscepções entre alças de intestino delgado, pequenas (em geral com menos de 2,5 cm de diâmetro), curtas, com peristalse preservada e sem obstrução, são frequentemente transitórias e se desfazem sozinhas. O laudo deve diferenciá-las da ileocólica, porque a conduta é outra: observação e reavaliação, e não redução.
Achados que mudam a conduta
- Fluxo ao Doppler nas paredes do intussuscepto: a presença é favorável; a ausência levanta a suspeita de sofrimento vascular.
- Líquido aprisionado entre as camadas, associado a menor chance de sucesso da redução e a isquemia.
- Líquido livre com debris ou sinais de perfuração.
- Ponto de partida patológico (divertículo de Meckel, pólipo, duplicação, linfoma), mais provável em crianças fora da faixa etária típica.
- Sinais de obstrução, com alças de delgado distendidas.
Peritonite, perfuração e instabilidade são contraindicações à redução e indicam cirurgia.
O que o laudo deve trazer
- Localização e tipo (ileocólica, ileoileal).
- Diâmetro e, se possível, extensão.
- Doppler das paredes, líquido aprisionado e líquido livre.
- Ponto de partida, quando identificado.
- Sinais de obstrução.
- Se houve redução guiada: técnica, resultado e confirmação da passagem para o íleo terminal.
Erros comuns
- Não varrer todo o trajeto do cólon e procurar só na fossa ilíaca direita.
- Laudar uma intussuscepção transitória do delgado como ileocólica.
- Omitir o Doppler e o líquido aprisionado.
- Não procurar ponto de partida em criança fora da faixa típica.
- Após a redução, não confirmar a resolução e a passagem para o íleo.
Veja também o nosso texto sobre o ultrassom na apendicite.
Como o Laudário ajuda

No modelo pediátrico de intussuscepção intestinal do Laudário:
- Localização, tipo e medidas em campos próprios.
- Doppler, líquido aprisionado, líquido livre e ponto de partida em opções.
- Conclusão e recomendações montadas a partir dos achados.
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