Estenose hipertrófica do piloro no ultrassom: as medidas, as armadilhas e o laudo
Como examinar o piloro no lactente que vomita, quais medidas confirmam a estenose hipertrófica, como diferenciá-la do pilorospasmo e o que o laudo precisa trazer para o cirurgião pediátrico decidir.
O lactente com vômitos em jato, não biliosos, nas primeiras semanas de vida é a apresentação clássica da estenose hipertrófica do piloro. O ultrassom é o exame de escolha: confirma ou afasta o diagnóstico em poucos minutos, sem radiação, e o resultado vai direto para a decisão cirúrgica. Por isso as medidas precisam ser feitas no lugar certo e informadas com clareza.
Quem e quando
A doença aparece tipicamente entre a 2ª e a 12ª semana de vida, com pico entre a 3ª e a 6ª, e é mais frequente em meninos. Vômitos biliosos não são típicos e devem levantar outras hipóteses, como má rotação com volvo, que é urgência.
Técnica
- Transdutor linear de alta frequência, lactente em decúbito dorsal ou lateral direito.
- O piloro fica à direita, perto da vesícula e medial ao antro gástrico.
- Oferecer líquido (soro glicosado ou leite) distende o antro e permite ver se o conteúdo passa pelo canal.
- Estômago muito cheio pode deslocar o piloro para trás; nesse caso, o decúbito lateral direito ajuda.
As medidas
- Espessura do músculo pilórico, medida no corte longitudinal ou transversal, só a camada muscular hipoecoica. Valores a partir de cerca de 3 mm são considerados anormais.
- Comprimento do canal pilórico, no corte longitudinal. Valores a partir de cerca de 15 mm são considerados anormais.
- O diâmetro transverso do piloro é uma medida complementar.
Mais do que um número isolado, o diagnóstico se apoia no conjunto: músculo espesso, canal alongado e ausência de passagem do conteúdo gástrico durante a observação, muitas vezes com peristalse gástrica vigorosa.
Pilorospasmo: a principal armadilha
No pilorospasmo, o piloro pode parecer espesso e alongado num momento e se abrir em outro. Medidas limítrofes e variáveis ao longo do exame, com passagem intermitente de conteúdo, falam a favor do espasmo. Nessa situação, o laudo deve descrever a variação e, se a clínica persistir, sugerir reavaliação, em vez de fechar o diagnóstico.
O que o laudo deve trazer
- Espessura do músculo pilórico e comprimento do canal, com as medidas.
- Se houve passagem de conteúdo pelo canal durante o exame.
- Grau de distensão gástrica e peristalse.
- Outros achados, como líquido livre ou alças distendidas.
- Conclusão clara: achados compatíveis com estenose hipertrófica do piloro, ou piloro sem sinais de estenose, ou achados limítrofes com recomendação de reavaliação.
Erros comuns
- Medir a mucosa junto com o músculo.
- Medir num corte oblíquo, que superestima a espessura.
- Fechar o diagnóstico com medidas limítrofes e canal que se abre.
- Não informar se o conteúdo passou.
- Deixar de registrar vômitos biliosos na indicação, quando presentes.
Veja também o nosso texto sobre o ultrassom na apendicite.
Como o Laudário ajuda

No modelo pediátrico de piloro do Laudário:
- Espessura muscular e comprimento do canal em campos próprios.
- Passagem do conteúdo e distensão gástrica em opções.
- Conclusão montada a partir dos achados, sem digitar de novo.
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