Doença de Peyronie e fratura peniana no ultrassom: placas, curvatura e o que laudar
Como descrever as placas da doença de Peyronie, o que o ultrassom diz sobre fase ativa e estável, quando associar o Doppler com farmacoindução e o que não pode faltar no laudo da suspeita de fratura peniana.
O ultrassom peniano é o exame de imagem de escolha tanto na doença de Peyronie quanto na suspeita de fratura peniana. São situações muito diferentes, uma crônica e outra de urgência, mas em ambas o achado principal está na mesma estrutura: a túnica albugínea, a camada fibrosa que envolve os corpos cavernosos.
Técnica
- Transdutor linear de alta frequência, com o pênis em posição anatômica, apoiado sobre o abdome.
- Varredura em cortes transversais e longitudinais, da base à glande, pelas faces dorsal, ventral e laterais.
- Avaliação dos corpos cavernosos, do corpo esponjoso, da uretra e do septo intercavernoso.
Doença de Peyronie: as placas
As placas aparecem como espessamentos focais da túnica albugínea, em geral hiperecogênicos, com ou sem sombra acústica. Para cada placa, o laudo deve informar:
- Localização: face dorsal (a mais comum), ventral, lateral direita ou esquerda, ou septo.
- Terço: proximal, médio, distal ou junção com a glande.
- Medidas, de preferência nas três dimensões, para comparação no seguimento.
- Aspecto: hiperecogênica sem sombra (fibrótica), com sombra (calcificada), hipoecoica com espessamento, ou perda focal da continuidade.
- Calcificação: ausente, puntiforme ou extensa com sombra.
A calcificação tende a aparecer nas placas mais antigas e costuma ser associada à fase estável, mas a fase da doença é definida pela clínica (dor, progressão da curvatura). O laudo descreve; não deve afirmar a fase só pelo aspecto.
Curvatura e função erétil
A curvatura é mais bem avaliada em ereção. Quando o urologista precisa planejar uma cirurgia, o exame com farmacoindução permite medir o ângulo e associar o Doppler peniano para avaliar a função arterial e venosa, o que muda a técnica cirúrgica indicada. Fora disso, a curvatura informada pelo paciente ou por fotografia pode ser registrada como dado clínico.
Fratura peniana: urgência
A fratura é a ruptura da túnica albugínea com o pênis em ereção. O ultrassom deve responder rapidamente:
- Há solução de continuidade da túnica albugínea? Localização (lado, face e terço) e extensão do defeito.
- Hematoma: se é contido pela fáscia de Buck ou se se estende para o subcutâneo, o escroto ou o períneo.
- Corpo esponjoso e uretra: lesão associada muda a cirurgia e exige avaliação urológica da uretra.
A localização precisa do defeito ajuda o cirurgião a escolher a incisão. Quando o ultrassom não mostra o defeito mas a clínica é típica, o laudo deve dizer que o achado não exclui a fratura.
Erros comuns
- Descrever "placa de Peyronie" sem localização, terço e medidas.
- Afirmar fase ativa ou estável só pela ecogenicidade.
- Na fratura, não descrever o corpo esponjoso e a uretra.
- Não citar a extensão do hematoma.
- Laudo "sem alterações" sem dizer que a túnica foi avaliada em toda a extensão.
Veja também o nosso texto sobre o Doppler peniano na disfunção erétil.
Como o Laudário ajuda

Nos modelos de ultrassom peniano, com e sem Doppler, do Laudário:
- Placas de Peyronie com localização, terço, aspecto, medidas e calcificação, uma por placa.
- Curvatura, túnica albugínea, corpos cavernosos, corpo esponjoso e sonouretrografia em abas próprias.
- No modelo com Doppler, farmacoindução e velocidades em campos próprios.
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