Ultrassom de bexiga: volume, resíduo pós-miccional e o que descrever da parede
Como calcular o volume vesical e o resíduo pós-miccional, quando o resíduo é significativo, o que medir da parede, trabeculação e divertículos, e os achados que pedem cistoscopia.
A bexiga entra em quase todo ultrassom de abdome total, de vias urinárias e de próstata, e é quase sempre descrita com a mesma frase. Mas o resíduo pós-miccional é uma das medidas mais pedidas pelo urologista, e um espessamento parietal mal descrito pode ser tanto bexiga de esforço quanto tumor. O laudo útil traz números e diferencia o difuso do focal.
Volume vesical
O volume é calculado pela fórmula do elipsoide, a partir das três medidas da bexiga (longitudinal, transversal e anteroposterior), multiplicadas por um coeficiente de cerca de 0,52. O resultado é uma estimativa, com erro maior em bexigas pouco cheias ou de formato irregular. O laudo deve registrar as medidas e o volume calculado.
Para o exame da parede e do conteúdo, a bexiga precisa estar bem repleta. Bexiga vazia ou pouco cheia é uma limitação técnica e deve ser citada.
Resíduo pós-miccional
O resíduo é medido logo após a micção, idealmente em poucos minutos, com a mesma fórmula. Não há um único ponto de corte aceito por todas as diretrizes, mas na prática:
- Resíduo pequeno, abaixo de cerca de 50 mL, é em geral considerado adequado em adultos.
- Resíduos acima de 100 mL costumam ser considerados significativos e merecem destaque.
- Entre 50 e 100 mL, o achado pede correlação com a clínica e, se necessário, repetição.
O laudo deve informar o volume pré-miccional e o resíduo, e se houve intervalo prolongado entre a micção e a medida, o que superestima o resíduo.
Parede vesical
- Com a bexiga repleta, a parede normal é fina, em geral até cerca de 3 mm. Medida em bexiga vazia superestima a espessura.
- Espessamento difuso com trabeculação e divertículos sugere bexiga de esforço, por obstrução infravesical (hiperplasia prostática, estenose de uretra) ou bexiga neurogênica.
- Espessamento focal ou lesão vegetante, sobretudo com fluxo ao Doppler, não pode ser atribuído a esforço. A recomendação é avaliação urológica com cistoscopia.
Outros achados
- Divertículos: número, localização, colo e conteúdo; um divertículo pode esconder cálculo ou tumor.
- Cálculos: imagem hiperecogênica com sombra, que se move com a mudança de decúbito.
- Coágulos e debris: material ecogênico sem sombra e sem fluxo ao Doppler.
- Ureterocele: dilatação cística da porção intravesical do ureter.
- Jatos ureterais ao Doppler colorido, úteis na suspeita de obstrução ureteral.
Erros comuns
- Resíduo sem o volume pré-miccional ou medido muito tempo depois da micção.
- Medir a espessura da parede com a bexiga vazia.
- Atribuir espessamento focal a "bexiga de esforço".
- Não usar o Doppler numa lesão vegetante.
- Omitir que a bexiga estava pouco repleta.
Veja também o nosso texto sobre ultrassom de próstata.
Como o Laudário ajuda
Nos modelos de aparelho urinário e de próstata do Laudário:
- Volume vesical e resíduo pós-miccional calculados a partir das medidas.
- Parede, divertículos e lesões em campos próprios.
- Recomendações em aba própria.
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