Cisto renal no ultrassom: o cisto simples, a classificação de Bosniak e quando pedir tomografia
Quais critérios definem o cisto renal simples no ultrassom, por que a classificação de Bosniak foi feita para tomografia e ressonância e como laudar o cisto que não é simples sem alarmar e sem deixar passar.
O cisto renal é um dos achados mais comuns do ultrassom de abdome, e a grande maioria é simples e sem importância clínica. O problema está nos que não são. Um laudo que chama de "cisto renal" uma lesão com septo espesso, ou que classifica pelo Bosniak o que o ultrassom não consegue classificar, pode tanto gerar uma investigação desnecessária quanto deixar passar um carcinoma cístico.
O cisto simples
No ultrassom, o cisto renal simples tem todos estes critérios:
- Conteúdo anecoico.
- Parede fina e lisa, quase imperceptível.
- Forma arredondada ou oval, bem delimitada.
- Reforço acústico posterior.
- Sem septos, calcificações, componente sólido ou fluxo ao Doppler.
Preenchidos todos os critérios, a lesão é benigna e não precisa de seguimento por imagem. O laudo descreve o lado, o terço do rim, a localização (cortical, parapiélico, exofítico) e a maior medida.
Bosniak: uma classificação de tomografia e ressonância
A classificação de Bosniak, revisada em 2019, foi construída para a tomografia e a ressonância com contraste, porque depende do realce da parede, dos septos e dos componentes sólidos. O ultrassom convencional não mede realce. Por isso, aplicar as categorias II, IIF, III e IV a partir do modo B é extrapolar a classificação.
O ultrassom com contraste (CEUS) é capaz de avaliar o realce e tem sido usado para caracterizar cistos complexos, mas ainda não está disponível na maioria dos serviços. No ultrassom convencional, a forma segura é descrever os achados e recomendar o método adequado.
O cisto que não é simples
Qualquer um destes achados tira o cisto da categoria simples:
- Septos: finos ou espessos, únicos ou múltiplos.
- Calcificações na parede ou nos septos.
- Conteúdo com ecos (hemorrágico ou proteico), que pode ser benigno mas não é anecoico.
- Espessamento parietal ou nodularidade.
- Componente sólido, especialmente com fluxo ao Doppler.
Nesses casos, o laudo descreve o que foi visto e recomenda tomografia ou ressonância com contraste para caracterização. Componente sólido vascularizado justifica que a recomendação seja destacada, porque é o achado que mais se associa à malignidade.
Outras situações
- Cisto parapiélico pode ser confundido com hidronefrose. O cisto não se comunica com os cálices; na dúvida, a tomografia em fase excretora resolve.
- Múltiplos cistos bilaterais em paciente jovem levantam a hipótese de doença renal policística; o laudo deve contar os cistos de cada rim e medir os rins.
- Cisto em rim de paciente em diálise faz parte da doença cística adquirida, que tem maior risco de neoplasia e merece descrição cuidadosa.
Erros comuns
- Classificar pelo Bosniak a partir do ultrassom convencional.
- Chamar de cisto simples uma lesão com septo, calcificação ou ecos.
- Omitir o Doppler num cisto com componente sólido.
- Recomendar seguimento por ultrassom de cisto que precisa de tomografia.
- Deixar de medir, o que impede a comparação.
Veja também o nosso texto sobre o laudo de rins e vias urinárias.
Como o Laudário ajuda
Nos modelos de abdome e de aparelho urinário do Laudário:
- Cistos renais com lado, localização, medidas e características em campos próprios.
- A conclusão é montada a partir dos achados marcados, sem digitar de novo.
- Recomendações em aba própria, como a de tomografia ou ressonância para caracterização.
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