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Lesões musculares no ultrassom: estiramento, contusão, hematoma e como graduar no laudo

Quando fazer o exame, como descrever a localização em relação à junção miotendínea, o que medir, como graduar a lesão e as complicações que o seguimento deve procurar.

LaudárioLaudos de ultrassom na prática 8 de setembro de 2026 3 min de leitura

Este artigo faz parte do guia Ultrassom musculoesquelético: o guia completo, articulação por articulação.

Na lesão muscular do esporte, a pergunta do médico do esporte é prática: qual músculo, onde exatamente, qual o tamanho e se o tendão está envolvido. É isso que estima o tempo de retorno. O laudo que diz apenas "lesão muscular de grau II" responde pouco.

Quando fazer o exame

Nas primeiras horas, o edema pode mascarar a extensão da lesão. Um intervalo de cerca de 24 a 48 horas permite melhor delimitação da área lesada e do hematoma. Exames seriados são úteis para acompanhar a cicatrização.

Estiramento x contusão

  • Estiramento: lesão indireta por tração, típica da junção miotendínea dos músculos biarticulares (isquiotibiais, reto femoral, gastrocnêmio medial).
  • Contusão: trauma direto, com lesão no ponto do impacto, frequentemente mais profunda, junto ao osso, e com hematoma.

O que descrever

  • Músculo e a região: junção miotendínea, ventre muscular ou junção miofascial.
  • Envolvimento do tendão intramuscular ou da aponeurose central: é um dado de pior prognóstico, com retorno mais demorado e mais recidiva.
  • Extensão: comprimento craniocaudal e a proporção aproximada da área de secção transversa acometida.
  • Hematoma: dimensões e volume.
  • Distância da lesão até uma referência óssea fixa, para comparar nos controles.

Graduação

A graduação clássica do ultrassom divide em três graus: grau I, alteração mínima, sem descontinuidade evidente de fibras; grau II, rotura parcial, com descontinuidade e hematoma; grau III, rotura completa, com retração do coto muscular. Classificações mais recentes, como a britânica (BAMIC), foram desenvolvidas para a ressonância e incorporam a localização e o envolvimento tendíneo. O laudo que descreve esses elementos permite qualquer graduação.

Complicações a procurar no seguimento

  • Miosite ossificante: calcificação periférica que surge semanas após o trauma; reconhecer evita confusão com tumor.
  • Seroma ou cisto pós-traumático: coleção persistente.
  • Fibrose cicatricial: área hiperecogênica e retrátil, associada a recidiva.
  • Hérnia muscular pela fáscia, melhor vista em contração.

Erros comuns

  • Fazer o exame nas primeiras horas e subestimar a lesão.
  • Graduar sem dizer o músculo e a região exata.
  • Não citar o envolvimento do tendão intramuscular.
  • Laudar miosite ossificante como lesão expansiva.

Veja também o nosso texto sobre ultrassom de nervos periféricos.

Como o Laudário ajuda

Nos modelos de partes moles e musculoesquelético do Laudário:

  • Lesões numeradas com músculo, região, medidas e hematoma.
  • Comparação com o exame anterior a partir das mesmas medidas.
  • Lateralidade e recomendações em campos próprios.

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