Ultrassom musculoesquelético: o guia completo, articulação por articulação
Os princípios que valem para qualquer articulação (compartimentos, lateralidade, medida, exame dinâmico, Doppler e os limites do método) e o roteiro de ombro, mão e punho, joelho, tornozelo e pé, partes moles e músculos.
O ultrassom musculoesquelético tem uma vantagem que nenhum outro método de imagem oferece: examinar a estrutura no lugar exato da dor, em movimento e comparando com o outro lado na mesma hora. Tem também uma fragilidade: é o exame em que mais se vê laudo genérico, com "tendinopatia" sem dizer qual tendão, em que ponto e com que medida.
Este guia reúne os princípios que valem para qualquer articulação e aponta, região por região, o artigo que aprofunda cada uma. Use como roteiro do exame e como índice do que já escrevemos sobre musculoesquelético.
Os princípios que valem para todas as articulações
- Examinar por compartimentos, sempre na mesma ordem. Anterior, medial, lateral e posterior, ou dorsal e volar. A ordem fixa evita esquecer estruturas e deixa claro no laudo o que foi avaliado.
- Lateralidade em toda frase. Direito ou esquerdo, e no caso dos dedos, qual dedo. Parece óbvio, e é o erro mais comum.
- Comparar com o contralateral quando o achado é discreto. Espessamento de tendão e de fáscia é relativo.
- Medir. Espessura de tendão, de fáscia, de polia, área do nervo, tamanho de rotura e distância entre cotos. O número é o que permite comparar no seguimento.
- Usar o exame dinâmico quando a queixa é de ressalto, subluxação ou impacto. Ele mostra o que o exame estático não vê.
- Usar o Doppler para neovascularização em tendinopatia, sinovite ativa e para não confundir aneurisma com cisto.
- Dizer o que o ultrassom não avalia bem naquela região (menisco interno, ligamentos cruzados, cartilagem profunda, lesões ósseas) e recomendar ressonância quando a pergunta clínica depende disso.
Ombro
É o exame musculoesquelético mais pedido. O foco é o manguito rotador: supraespinal, infraespinal, subescapular, redondo menor e o cabo longo do bíceps, além da bursa subacromial-subdeltoidea e das manobras de impacto. Na rotura, o laudo informa se é parcial (e em qual face) ou completa, as medidas nos dois eixos e a retração. Veja o laudo de ombro.
Mão, punho e nervos periféricos
As queixas mais comuns são o De Quervain (com o septo intracompartimental que muda a infiltração e a cirurgia), o dedo em gatilho (a polia A1), o cisto sinovial (com a origem e o pedículo) e o túnel do carpo. Veja mão e punho.
Nas neuropatias compressivas, a área de secção transversa do nervo, medida no ponto certo, é o número que o laudo precisa trazer. Veja nervos periféricos e área de secção transversa.
Joelho
O ultrassom avalia bem o aparelho extensor (tendões quadricipital e patelar), os ligamentos colaterais, as bursas, o derrame articular e a sinovite, e mal o interior da articulação. O laudo precisa deixar claro esse limite. Veja o laudo de joelho.
Na fossa poplítea, o cisto de Baker se confirma pelo colo entre o semimembranoso e o gastrocnêmio medial. Rompido, simula trombose, e as veias profundas precisam ser avaliadas no mesmo exame. Veja cisto de Baker.
Tornozelo e pé
O tendão calcâneo é descrito como tendinopatia insercional ou não insercional, porque o tratamento muda; a rotura, com a distância entre os cotos. Completam o exame os fibulares (com a manobra dinâmica para subluxação e a busca da ruptura longitudinal), o tibial posterior, os ligamentos da entorse, a espessura da fáscia plantar e o espaço intermetatarsal do neuroma de Morton. Veja tornozelo e pé.
Partes moles e parede
Nódulos subcutâneos (lipomas, cistos epidérmicos, hematomas, lesões vasculares) e hérnias da parede abdominal e inguinal são exames frequentes, e seguem a mesma lógica: localização por plano anatômico, medidas, conteúdo, vascularização e manobras. Veja partes moles e hérnias da parede abdominal.
Em qualquer região, lesão sólida sem características típicas de benignidade, especialmente se profunda à fáscia, maior que 5 cm ou com crescimento, merece investigação com ressonância.
Músculos
Nas lesões musculares do esporte, o laudo descreve o músculo, a localização (junção miotendínea, ventre, inserção), a extensão da desorganização das fibras, o hematoma com medidas e, no seguimento, a cicatrização. A graduação usada pelo serviço deve ser citada, para o médico do esporte comparar entre exames.
Os erros que mais aparecem no laudo musculoesquelético
- Achado sem lateralidade ou sem o dedo.
- "Tendinopatia" sem o tendão, o ponto e a espessura.
- Rotura sem medidas, sem retração ou sem a distância entre cotos.
- Queixa de ressalto sem exame dinâmico.
- Massa na fossa poplítea sem Doppler.
- Não citar o que o ultrassom não avalia naquela região.
Como o Laudário ajuda
O Laudário tem modelos próprios de ombro, cotovelo, punho, mão, quadril, joelho, tornozelo e pé, além de nervos periféricos, muscular, partes moles e o reumatológico de punho e mão. Na prática:
- Compartimentos organizados em abas, com lateralidade.
- Frases prontas para tendinopatia, rotura, tenossinovite, bursite e sinovite, com os campos de medida no lugar certo.
- Recomendações em aba própria, separadas dos achados.
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