Cisto de Baker no ultrassom: o sinal que confirma, a rotura e o que não é cisto
O colo entre o semimembranoso e o gastrocnêmio medial, o cisto roto que simula trombose, o aneurisma poplíteo que não pode ser confundido e a causa dentro do joelho.
Este artigo faz parte do guia Ultrassom musculoesquelético: o guia completo, articulação por articulação.
O cisto de Baker é um dos achados mais frequentes no ultrassom de joelho e um dos motivos mais comuns de pedido de exame por "caroço atrás do joelho". Na maioria das vezes, é benigno e secundário a alguma alteração dentro da articulação. Mas ele tem dois momentos em que o laudo faz diferença real: quando rompe e simula uma trombose venosa, e quando uma massa atrás do joelho não é, na verdade, um cisto.
Este texto mostra como confirmar o diagnóstico, o que descrever e como diferenciar o cisto roto da trombose.
O que é
O cisto de Baker (ou cisto poplíteo) é a distensão da bursa entre o gastrocnêmio medial e o semimembranoso, que se comunica com a articulação do joelho. Qualquer condição que aumente o líquido articular (artrose, lesão meniscal, artrite reumatoide, gota) pode enchê-la. Por isso, o cisto é quase sempre um marcador de doença intra-articular, e não a doença em si.
O sinal que confirma: o colo entre os tendões
O diagnóstico ecográfico não é só "coleção na fossa poplítea". O achado característico é o colo do cisto passando entre o tendão do semimembranoso e a cabeça medial do gastrocnêmio, em corte axial na face posteromedial do joelho. Ver esse colo confirma que a coleção é um cisto de Baker e não outra lesão.
O laudo descreve:
- Medidas nos três eixos, para permitir comparação.
- Conteúdo: anecoico, com debris, com septos, com corpos livres ou sinovite (espessamento sinovial com fluxo ao Doppler).
- Extensão: cistos grandes podem dissecar para a panturrilha.
- Derrame articular associado, no recesso suprapatelar.
Cisto roto: o diferencial com a trombose
Quando o cisto rompe, o líquido sinovial escorre entre os músculos da panturrilha e causa dor, edema e calor, um quadro clínico muito parecido com o da trombose venosa profunda, a chamada pseudotromboflebite. O ultrassom resolve os dois de uma vez:
- Cisto roto: perda do contorno arredondado, com a borda inferior pontiaguda, e líquido dissecando entre o gastrocnêmio medial e o sóleo, em forma de lâmina.
- Veias profundas: avaliar a compressibilidade das veias poplítea e da panturrilha. Cisto roto e trombose podem coexistir, e o cisto grande pode comprimir a veia poplítea.
Por isso, em paciente com dor na panturrilha e cisto de Baker, o laudo deve deixar claro se as veias foram avaliadas e estão pérvias. Um cisto roto descrito sem a avaliação venosa deixa a pergunta mais importante sem resposta. Veja o nosso texto sobre o Doppler venoso na suspeita de TVP.
Quando não é um cisto de Baker
Nem toda massa na fossa poplítea é cisto. Os principais diferenciais:
- Aneurisma da artéria poplítea: estrutura pulsátil, com fluxo ao Doppler e trombo mural. Muitas vezes bilateral e associado a aneurisma da aorta. Confundi-lo com cisto é o erro mais grave, e o Doppler colorido o evita.
- Cisto meniscal (parameniscal): junto ao menisco, geralmente com lesão meniscal associada, lateral ou medial.
- Cisto gangliônico: sem comunicação com a bursa típica.
- Tumores de partes moles, como sarcoma sinovial, que pode ter áreas císticas e parecer benigno. Componente sólido com fluxo ao Doppler, sem o colo característico, pede investigação com ressonância.
A causa dentro do joelho
Como o cisto é secundário, o laudo ganha valor quando procura a causa ao alcance do ultrassom: derrame articular, sinovite, osteófitos e sinais de artrose, extrusão do menisco medial e depósitos de cristais na cartilagem. O ultrassom não avalia bem o interior do menisco e os ligamentos cruzados; quando a suspeita clínica é de lesão interna, vale recomendar ressonância.
Erros comuns
- Chamar qualquer coleção posterior de cisto de Baker sem ver o colo.
- Não usar o Doppler e deixar passar um aneurisma poplíteo.
- Cisto roto sem avaliação das veias profundas.
- Omitir as medidas, o que impede o seguimento.
- Não citar o derrame e a sinovite associados.
Veja também o nosso texto sobre o laudo musculoesquelético do joelho.
Como o Laudário ajuda
No modelo de joelho do Laudário, com lateralidade:
- Cisto de Baker com medidas, conteúdo e sinais de rotura.
- Derrame articular e sinovite em campos próprios.
- Modelos de Doppler venoso para completar o exame na suspeita de trombose.
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