Doppler das artérias uterinas no rastreio de pré-eclâmpsia do primeiro trimestre: técnica e laudo
Como obter o índice de pulsatilidade das artérias uterinas entre 11 e 13 semanas, por que ele não vale sozinho, como entra no cálculo combinado de risco e o que o laudo deve trazer.
Este artigo faz parte do guia Ultrassom obstétrico: o guia dos três trimestres, da datação ao Doppler.
O rastreio de pré-eclâmpsia no primeiro trimestre mudou a forma de ver o Doppler das artérias uterinas. Sozinho, o índice de pulsatilidade tem desempenho limitado. Combinado com a história materna, a pressão arterial média e, quando disponível, o fator de crescimento placentário (PlGF), compõe o rastreio da Fetal Medicine Foundation (FMF), que identifica a maioria das pacientes que terão pré-eclâmpsia precoce.
Técnica
- Entre 11 e 13 semanas e 6 dias, no mesmo exame da translucência nucal.
- Por via abdominal: corte sagital mediano do útero e do canal cervical, depois deslocamento lateral do transdutor até localizar a artéria uterina junto ao orifício cervical interno, com o Doppler colorido.
- Ângulo de insonação menor que 30 graus, volume de amostra de cerca de 2 mm cobrindo o vaso e pelo menos três ondas semelhantes.
- O índice de pulsatilidade (IP) é medido nas duas artérias, e usa-se o IP médio.
Medir em outro ponto do trajeto, como nos ramos arqueados, dá valores diferentes e invalida a comparação com as referências.
Por que o IP sozinho não basta
O IP varia com a idade gestacional e com características maternas, por isso é expresso em múltiplos da mediana (MoM). No algoritmo da FMF, ele é combinado com idade, peso, etnia, antecedentes, método de concepção, pressão arterial média e PlGF. O resultado é um risco individual, e não um "Doppler alterado".
O que fazer com o risco alto
No estudo ASPRE, gestantes com risco alto no rastreio combinado (acima de 1 em 100) que receberam ácido acetilsalicílico em baixa dose, iniciado antes de 16 semanas, tiveram redução importante da pré-eclâmpsia pré-termo. A prescrição e a dose são decisão do médico assistente; o papel do laudo é entregar o risco calculado de forma clara.
O que o laudo deve trazer
- IP da artéria uterina direita, da esquerda e o IP médio.
- O IP médio em MoM, quando o software fornecer.
- Pressão arterial média e PlGF usados no cálculo, quando aplicável.
- O risco de pré-eclâmpsia antes de 34 e de 37 semanas, com o nome do algoritmo.
- Classificação em risco alto ou baixo pelo ponto de corte adotado.
Erros comuns
- Medir longe do orifício cervical interno.
- Laudar "Doppler das uterinas alterado" sem o cálculo combinado.
- Informar o risco sem dizer qual algoritmo foi usado.
- Esquecer de registrar a pressão arterial média aferida no exame.
Veja também o nosso texto sobre ultrassom obstétrico de primeiro trimestre.
Como o Laudário ajuda
Nos modelos de obstetrícia e morfológico de primeiro trimestre do Laudário:
- IP das artérias uterinas direita e esquerda, com IP médio calculado.
- Cálculo do risco de pré-eclâmpsia pelo algoritmo da FMF, integrado ao laudo do primeiro trimestre.
- Risco de trissomias e de pré-eclâmpsia no mesmo laudo.
Teste por 15 dias grátis, sem cartão de crédito.