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Doppler das artérias uterinas no rastreio de pré-eclâmpsia do primeiro trimestre: técnica e laudo

Como obter o índice de pulsatilidade das artérias uterinas entre 11 e 13 semanas, por que ele não vale sozinho, como entra no cálculo combinado de risco e o que o laudo deve trazer.

LaudárioLaudos de ultrassom na prática 24 de agosto de 2026 3 min de leitura

Este artigo faz parte do guia Ultrassom obstétrico: o guia dos três trimestres, da datação ao Doppler.

O rastreio de pré-eclâmpsia no primeiro trimestre mudou a forma de ver o Doppler das artérias uterinas. Sozinho, o índice de pulsatilidade tem desempenho limitado. Combinado com a história materna, a pressão arterial média e, quando disponível, o fator de crescimento placentário (PlGF), compõe o rastreio da Fetal Medicine Foundation (FMF), que identifica a maioria das pacientes que terão pré-eclâmpsia precoce.

Técnica

  • Entre 11 e 13 semanas e 6 dias, no mesmo exame da translucência nucal.
  • Por via abdominal: corte sagital mediano do útero e do canal cervical, depois deslocamento lateral do transdutor até localizar a artéria uterina junto ao orifício cervical interno, com o Doppler colorido.
  • Ângulo de insonação menor que 30 graus, volume de amostra de cerca de 2 mm cobrindo o vaso e pelo menos três ondas semelhantes.
  • O índice de pulsatilidade (IP) é medido nas duas artérias, e usa-se o IP médio.

Medir em outro ponto do trajeto, como nos ramos arqueados, dá valores diferentes e invalida a comparação com as referências.

Por que o IP sozinho não basta

O IP varia com a idade gestacional e com características maternas, por isso é expresso em múltiplos da mediana (MoM). No algoritmo da FMF, ele é combinado com idade, peso, etnia, antecedentes, método de concepção, pressão arterial média e PlGF. O resultado é um risco individual, e não um "Doppler alterado".

O que fazer com o risco alto

No estudo ASPRE, gestantes com risco alto no rastreio combinado (acima de 1 em 100) que receberam ácido acetilsalicílico em baixa dose, iniciado antes de 16 semanas, tiveram redução importante da pré-eclâmpsia pré-termo. A prescrição e a dose são decisão do médico assistente; o papel do laudo é entregar o risco calculado de forma clara.

O que o laudo deve trazer

  • IP da artéria uterina direita, da esquerda e o IP médio.
  • O IP médio em MoM, quando o software fornecer.
  • Pressão arterial média e PlGF usados no cálculo, quando aplicável.
  • O risco de pré-eclâmpsia antes de 34 e de 37 semanas, com o nome do algoritmo.
  • Classificação em risco alto ou baixo pelo ponto de corte adotado.

Erros comuns

  • Medir longe do orifício cervical interno.
  • Laudar "Doppler das uterinas alterado" sem o cálculo combinado.
  • Informar o risco sem dizer qual algoritmo foi usado.
  • Esquecer de registrar a pressão arterial média aferida no exame.

Veja também o nosso texto sobre ultrassom obstétrico de primeiro trimestre.

Como o Laudário ajuda

Nos modelos de obstetrícia e morfológico de primeiro trimestre do Laudário:

  • IP das artérias uterinas direita e esquerda, com IP médio calculado.
  • Cálculo do risco de pré-eclâmpsia pelo algoritmo da FMF, integrado ao laudo do primeiro trimestre.
  • Risco de trissomias e de pré-eclâmpsia no mesmo laudo.

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