Dilatação do trato urinário fetal: a classificação UTD e o que medir no pré-natal
Como medir o diâmetro anteroposterior da pelve renal, os pontos de corte por idade gestacional, a diferença entre UTD A1 e A2-3 e os achados que mudam o risco, como cálices periféricos, ureter, bexiga e líquido amniótico.
Este artigo faz parte do guia Ultrassom obstétrico: o guia dos três trimestres, da datação ao Doppler.
A dilatação da pelve renal é um dos achados mais frequentes do ultrassom morfológico, e quase sempre transitória. Mas termos como "pielectasia", "hidronefrose leve" e "ectasia piélica" foram usados por anos com pontos de corte diferentes, o que dificultava saber quem precisava de seguimento. A classificação UTD (urinary tract dilation), publicada em 2014 por um consenso de sociedades de radiologia, urologia, nefrologia pediátrica e medicina fetal, unificou a linguagem.
Como medir
O diâmetro anteroposterior da pelve renal (DAP) é medido em corte transversal do rim, na porção intrarrenal da pelve, com a coluna fetal de preferência em posição anterior ou posterior. Não se mede a porção extrarrenal da pelve.
Os pontos de corte
O DAP é considerado normal quando:
- Entre 16 e 27 semanas: menor que 4 mm.
- A partir de 28 semanas: menor que 7 mm.
Além do DAP, a classificação considera a dilatação dos cálices (centrais ou periféricos), a espessura e o aspecto do parênquima, o ureter, a bexiga e o líquido amniótico.
UTD A1: baixo risco
- DAP de 4 a menos de 7 mm entre 16 e 27 semanas, ou de 7 a menos de 10 mm a partir de 28 semanas.
- Com ou sem dilatação calicial central.
- Sem os achados de risco abaixo.
Recomendação: um novo ultrassom a partir de 32 semanas e avaliação pós-natal.
UTD A2-3: risco aumentado
- DAP de 7 mm ou mais entre 16 e 27 semanas, ou de 10 mm ou mais a partir de 28 semanas, ou
- Qualquer um destes: dilatação calicial periférica, parênquima anormal (afilado ou hiperecogênico, cistos corticais), ureter dilatado, bexiga anormal (parede espessada, ureterocele, uretra posterior dilatada) ou oligoâmnio sem outra causa.
Recomendação: reavaliação em 4 a 6 semanas, de acordo com o caso, e acompanhamento especializado após o nascimento. Com bexiga anormal e oligoâmnio no feto masculino, a hipótese de válvula de uretra posterior deve constar no laudo.
O que o laudo precisa ter
- DAP de cada rim, em mm, com o corte usado.
- Cálices: sem dilatação, dilatação central ou periférica.
- Parênquima: espessura e ecogenicidade.
- Ureteres e bexiga.
- Líquido amniótico.
- Classificação UTD (A1 ou A2-3), do lado direito e do esquerdo.
Erros comuns
- Medir a pelve extrarrenal ou em corte longitudinal.
- Usar "pielectasia" ou "hidronefrose leve" sem a classificação.
- Ignorar os cálices, o ureter e a bexiga e classificar só pelo DAP.
- Usar o mesmo ponto de corte antes e depois de 28 semanas.
- Não recomendar a avaliação pós-natal no UTD A1.
Veja também o nosso guia do ultrassom obstétrico.
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