Líquido amniótico no ultrassom: ILA ou maior bolsão vertical, e como laudar oligoâmnio e polidrâmnio
Como medir o índice de líquido amniótico e o maior bolsão vertical, por que o bolsão é preferido para diagnosticar oligoâmnio, os pontos de corte e a graduação do polidrâmnio.
Este artigo faz parte do guia Ultrassom obstétrico: o guia dos três trimestres, da datação ao Doppler.
A avaliação do líquido amniótico entra em todo ultrassom obstétrico a partir do segundo trimestre, e a forma de medir muda o diagnóstico. Dois métodos são usados: o índice de líquido amniótico (ILA) e o maior bolsão vertical (MBV). O laudo deve dizer qual foi usado e o valor encontrado, não só "líquido normal".
Como medir
- Maior bolsão vertical: a maior coluna vertical de líquido livre de partes fetais e de cordão, medida com o transdutor perpendicular ao chão. Considera-se a largura mínima de 1 cm para o bolsão valer.
- ILA: o útero é dividido em quatro quadrantes, usando a linha nigra e a cicatriz umbilical; mede-se o maior bolsão vertical de cada quadrante e somam-se os quatro.
O Doppler colorido ajuda a excluir alças de cordão que parecem líquido. Pressão excessiva do transdutor reduz a medida.
Oligoâmnio
Os pontos de corte mais usados são MBV menor que 2 cm ou ILA de 5 cm ou menos. Revisões sistemáticas mostraram que usar o ILA para diagnosticar oligoâmnio aumenta o número de diagnósticos e de induções de parto sem melhorar os desfechos perinatais. Por isso, sociedades como o ACOG preferem o maior bolsão vertical para esse diagnóstico.
Diante de oligoâmnio, o laudo deve lembrar as causas a investigar: rotura de membranas, insuficiência placentária com restrição de crescimento, anomalias do trato urinário fetal e pós-datismo.
Polidrâmnio
Os pontos de corte são MBV de 8 cm ou mais ou ILA de 24 cm ou mais (alguns serviços usam 25 cm). A graduação mais citada é:
- Leve: MBV de 8 a 11 cm ou ILA de 24 a 29,9 cm.
- Moderado: MBV de 12 a 15 cm ou ILA de 30 a 34,9 cm.
- Grave: MBV de 16 cm ou mais ou ILA de 35 cm ou mais.
A maioria dos casos leves é idiopática, mas o achado merece revisão morfológica fetal, com atenção ao trato gastrointestinal e ao sistema nervoso central, e correlação com rastreio de diabetes gestacional.
Gestação gemelar
Na gestação gemelar mede-se o maior bolsão vertical de cada saco. Na monocoriônica, a discordância com oligoâmnio em um saco e polidrâmnio no outro é critério da síndrome de transfusão feto-fetal.
Erros comuns
- Laudar "líquido amniótico normal" sem o método e o valor.
- Incluir alças de cordão na medida.
- Diagnosticar oligoâmnio pelo ILA e induzir sem necessidade.
- Usar o ILA total na gestação gemelar.
Veja também os textos sobre ultrassom obstétrico de terceiro trimestre e perfil biofísico fetal.
Como o Laudário ajuda
Nos modelos de obstetrícia do Laudário:
- ILA calculado a partir dos quatro quadrantes e maior bolsão vertical em campo próprio.
- Classificação de oligoâmnio e polidrâmnio a partir do valor medido.
- Campos por feto na gestação gemelar.
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