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Pólipos da vesícula biliar no ultrassom: o que medir e quando recomendar seguimento

Como diferenciar pólipo de cálculo e de barro biliar, por que a morfologia importa tanto quanto o tamanho e o que os consensos da SRU e europeu dizem sobre seguimento e cirurgia.

LaudárioLaudos de ultrassom na prática 27 de julho de 2026 3 min de leitura

Este artigo faz parte do guia Ultrassom de abdome: o guia dos achados que realmente mudam conduta.

Pólipo de vesícula é achado frequente e, na imensa maioria das vezes, benigno, quase sempre um pólipo de colesterol. O problema é que a recomendação no laudo costuma variar de examinador para examinador: um pede controle em seis meses para um pólipo de 3 mm, outro não comenta um de 11 mm. Padronizar a descrição é o que permite seguir os consensos atuais.

Primeiro: é mesmo um pólipo?

  • Cálculo: hiperecogênico, com sombra acústica posterior e que se move com a mudança de decúbito.
  • Barro biliar: material ecogênico sem sombra, que se acomoda na parte pendente e se desloca lentamente.
  • Pólipo: projeção fixa a partir da parede, sem sombra, que não muda de posição com o decúbito.
  • Adenomiomatose: espessamento parietal com focos ecogênicos e artefato em cauda de cometa, que não deve ser confundido com pólipo.

Mudar o paciente de posição é parte do exame. Sem isso, cálculo aderido e barro tumefeito viram "pólipo" no laudo.

O que medir e descrever

  • Número de pólipos e a maior medida do maior deles.
  • Morfologia: pediculado (com haste fina ou em "bola na parede") ou séssil (base larga).
  • Espessamento focal da parede adjacente ao pólipo.
  • Vascularização ao Doppler, quando avaliável.
  • Comparação com exame anterior, com a medida de antes.

O que os consensos recomendam

O consenso da Society of Radiologists in Ultrasound (SRU, 2022) estratifica pela morfologia. De forma resumida:

  • Pediculados (risco extremamente baixo): até 9 mm não precisam de seguimento; de 10 a 14 mm, controle com ultrassom; a partir de 15 mm, avaliação cirúrgica.
  • Sésseis ou de base larga (baixo risco): até 6 mm não precisam de seguimento; acima disso, controle, e avaliação cirúrgica nos maiores.
  • Espessamento focal da parede adjacente ao pólipo é critério de maior risco e indica avaliação cirúrgica.

O consenso europeu (ESGAR e sociedades associadas, 2022) é mais conservador: indica colecistectomia a partir de 10 mm e, entre 6 e 9 mm, quando há fatores de risco como idade acima de 60 anos, colangite esclerosante primária, etnia asiática ou base séssil.

Como os dois documentos diferem, o laudo útil traz tamanho e morfologia, que são os dados que qualquer dos fluxos usa, e deixa a conduta para o médico assistente quando a recomendação não for consensual.

Erros comuns

  • Não mudar o decúbito e chamar cálculo aderido ou barro de pólipo.
  • Descrever "pequenos pólipos" sem medida.
  • Omitir se o pólipo é pediculado ou séssil.
  • Recomendar seguimento para todo pólipo, inclusive os que os consensos dispensam.

Veja também o nosso texto sobre vesícula biliar e colelitíase.

Como o Laudário ajuda

Nos modelos de abdome do Laudário:

  • Vesícula com cálculos, barro e pólipos em campos separados.
  • Medida e morfologia do pólipo registradas para comparação.
  • Recomendação de seguimento em aba própria.

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