Pólipos da vesícula biliar no ultrassom: o que medir e quando recomendar seguimento
Como diferenciar pólipo de cálculo e de barro biliar, por que a morfologia importa tanto quanto o tamanho e o que os consensos da SRU e europeu dizem sobre seguimento e cirurgia.
Este artigo faz parte do guia Ultrassom de abdome: o guia dos achados que realmente mudam conduta.
Pólipo de vesícula é achado frequente e, na imensa maioria das vezes, benigno, quase sempre um pólipo de colesterol. O problema é que a recomendação no laudo costuma variar de examinador para examinador: um pede controle em seis meses para um pólipo de 3 mm, outro não comenta um de 11 mm. Padronizar a descrição é o que permite seguir os consensos atuais.
Primeiro: é mesmo um pólipo?
- Cálculo: hiperecogênico, com sombra acústica posterior e que se move com a mudança de decúbito.
- Barro biliar: material ecogênico sem sombra, que se acomoda na parte pendente e se desloca lentamente.
- Pólipo: projeção fixa a partir da parede, sem sombra, que não muda de posição com o decúbito.
- Adenomiomatose: espessamento parietal com focos ecogênicos e artefato em cauda de cometa, que não deve ser confundido com pólipo.
Mudar o paciente de posição é parte do exame. Sem isso, cálculo aderido e barro tumefeito viram "pólipo" no laudo.
O que medir e descrever
- Número de pólipos e a maior medida do maior deles.
- Morfologia: pediculado (com haste fina ou em "bola na parede") ou séssil (base larga).
- Espessamento focal da parede adjacente ao pólipo.
- Vascularização ao Doppler, quando avaliável.
- Comparação com exame anterior, com a medida de antes.
O que os consensos recomendam
O consenso da Society of Radiologists in Ultrasound (SRU, 2022) estratifica pela morfologia. De forma resumida:
- Pediculados (risco extremamente baixo): até 9 mm não precisam de seguimento; de 10 a 14 mm, controle com ultrassom; a partir de 15 mm, avaliação cirúrgica.
- Sésseis ou de base larga (baixo risco): até 6 mm não precisam de seguimento; acima disso, controle, e avaliação cirúrgica nos maiores.
- Espessamento focal da parede adjacente ao pólipo é critério de maior risco e indica avaliação cirúrgica.
O consenso europeu (ESGAR e sociedades associadas, 2022) é mais conservador: indica colecistectomia a partir de 10 mm e, entre 6 e 9 mm, quando há fatores de risco como idade acima de 60 anos, colangite esclerosante primária, etnia asiática ou base séssil.
Como os dois documentos diferem, o laudo útil traz tamanho e morfologia, que são os dados que qualquer dos fluxos usa, e deixa a conduta para o médico assistente quando a recomendação não for consensual.
Erros comuns
- Não mudar o decúbito e chamar cálculo aderido ou barro de pólipo.
- Descrever "pequenos pólipos" sem medida.
- Omitir se o pólipo é pediculado ou séssil.
- Recomendar seguimento para todo pólipo, inclusive os que os consensos dispensam.
Veja também o nosso texto sobre vesícula biliar e colelitíase.
Como o Laudário ajuda
Nos modelos de abdome do Laudário:
- Vesícula com cálculos, barro e pólipos em campos separados.
- Medida e morfologia do pólipo registradas para comparação.
- Recomendação de seguimento em aba própria.
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