Vias biliares no ultrassom: dilatação, medida do colédoco e coledocolitíase
Como medir o colédoco, os limites de normalidade e o que muda com a idade e após a colecistectomia, os sinais de dilatação intra-hepática, a coledocolitíase e as causas de obstrução que o laudo deve procurar.
Este artigo faz parte do guia Ultrassom de abdome: o guia dos achados que realmente mudam conduta.
A avaliação das vias biliares é parte de todo ultrassom de abdome, mas costuma caber em uma linha genérica: "vias biliares não dilatadas". Quando há icterícia, dor biliar ou alteração das enzimas canaliculares, essa linha precisa virar uma medida, um local e, se houver obstrução, uma causa provável. O ultrassom é o exame inicial; o laudo decide se a investigação segue para a colangiorressonância ou para o tratamento.
Como medir o colédoco
O ducto biliar comum é medido no hilo hepático, anterior à veia porta, de parede interna a parede interna, no maior calibre visível. O Doppler colorido ajuda a não confundir o colédoco com a artéria hepática, que pode cruzar entre ele e a veia porta.
Limites de normalidade
- Em adultos, o colédoco de até cerca de 6 mm é considerado normal.
- Com o envelhecimento, o calibre tende a aumentar discretamente, e valores um pouco maiores podem ser normais em idosos.
- Após a colecistectomia, o colédoco pode ficar maior sem significar obstrução; o achado só ganha peso com dilatação intra-hepática, sintomas ou alteração laboratorial.
Por isso, a medida isolada do colédoco vale menos do que o conjunto: calibre, intra-hepáticas, clínica e exames.
Dilatação das vias biliares intra-hepáticas
As vias intra-hepáticas normais quase não são vistas. Dilatadas, aparecem como estruturas tubulares paralelas aos ramos portais, o chamado sinal dos canais paralelos ou do "duplo cano". O Doppler confirma que o canal sem fluxo é a via biliar. Dilatação intra-hepática com colédoco normal sugere obstrução alta, no hilo; dilatação de todo o trajeto indica obstrução distal.
Coledocolitíase
O cálculo no colédoco aparece como imagem hiperecogênica com sombra acústica, dentro do ducto. A sensibilidade do ultrassom é limitada, sobretudo no colédoco distal, frequentemente encoberto por gás duodenal. Por isso:
- O laudo deve dizer até onde o colédoco foi avaliado.
- Um colédoco dilatado sem causa visível não exclui coledocolitíase.
- Na suspeita clínica com ultrassom inconclusivo, a colangiorressonância ou a ecoendoscopia são os próximos passos.
Outras causas de obstrução que o laudo deve procurar
- Massa na cabeça do pâncreas, com dilatação do ducto pancreático associada (sinal do duplo ducto).
- Massa no hilo hepático (tumor de Klatskin).
- Linfonodomegalias no hilo.
- Coledococele e cisto de colédoco, em pacientes jovens.
- Ar nas vias biliares (pneumobilia), após papilotomia ou anastomose, que não deve ser confundido com cálculo.
Erros comuns
- "Vias biliares normais" sem medida do colédoco em paciente com icterícia.
- Chamar de obstrução o colédoco discretamente aumentado após colecistectomia, sem outros sinais.
- Não informar que o colédoco distal não foi visto.
- Confundir artéria hepática com colédoco, por não usar o Doppler.
- Descrever dilatação sem procurar a causa no pâncreas e no hilo.
Veja também o nosso texto sobre vesícula biliar e colelitíase e o guia do ultrassom de abdome.
Como o Laudário ajuda
Nos modelos de abdome do Laudário:
- Vias biliares com medida do colédoco e dilatação intra-hepática em campos próprios.
- A conclusão é montada a partir dos achados, sem digitar de novo.
- Recomendações em aba própria, como a colangiorressonância.
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