Ultrassom de cotovelo: epicondilite, nervo ulnar e tendão do bíceps distal
O que o laudo de cotovelo precisa descrever: epicondilite lateral e medial, ruptura do bíceps distal, nervo ulnar no túnel cubital, derrame articular e bursite olecraniana, com os achados que mudam conduta.
Este artigo faz parte do guia Ultrassom musculoesquelético: o guia completo, articulação por articulação.
O cotovelo é uma articulação pequena, de anatomia densa, em que o ultrassom tem vantagem clara: avalia tendões e nervos em movimento, compara com o lado contrário e guia procedimentos. O laudo ganha valor quando é organizado por compartimento e diz exatamente qual estrutura está alterada e em que grau.
Compartimento lateral: epicondilite lateral
A epicondilite lateral ("cotovelo de tenista") é a tendinopatia da origem do tendão extensor comum, principalmente do extensor radial curto do carpo. Os achados:
- Espessamento e hipoecogenicidade da origem tendínea.
- Fissuras ou rupturas parciais, descritas pela extensão em relação à espessura do tendão.
- Calcificações e irregularidade da cortical do epicôndilo.
- Hipervascularização ao Doppler (neovascularização).
O ligamento colateral lateral, logo abaixo, deve ser avaliado, porque a lesão associada muda a conduta.
Compartimento medial: epicondilite medial e nervo ulnar
A epicondilite medial ("cotovelo de golfista") acomete a origem do tendão flexor-pronador comum, com os mesmos achados da lateral. O ligamento colateral ulnar, importante em atletas de arremesso, também é avaliado nesse compartimento.
O nervo ulnar é examinado no túnel cubital, atrás do epicôndilo medial:
- Espessamento e hipoecogenicidade do nervo, com perda do padrão fascicular.
- Área de secção transversa aumentada; valores em torno de 10 mm² ou mais são usados como referência de neuropatia.
- Subluxação ou luxação do nervo com a flexão do cotovelo, avaliada dinamicamente.
- Causas compressivas: cistos, osteófitos, músculo ancôneo epitroclear.
Veja o nosso texto sobre ultrassom de nervos periféricos.
Compartimento anterior: bíceps distal
A ruptura do tendão distal do bíceps acontece tipicamente em homens de meia-idade, em esforço excêntrico. O laudo deve dizer:
- Se a ruptura é parcial ou completa.
- Na completa, a distância de retração do coto proximal.
- Se o lacertus fibroso está íntegro, o que pode limitar a retração e mascarar a ruptura no exame físico.
- Bursite bicipitorradial associada.
A ruptura completa costuma ter indicação cirúrgica precoce, e o atraso piora o resultado. O achado merece destaque na impressão.
Compartimento posterior
- Tendão do tríceps: tendinopatia e rupturas, raras.
- Bursite olecraniana: coleção superficial ao olécrano, com descrição do conteúdo e da vascularização; na suspeita de infecção ou gota, o achado pede correlação clínica e, se indicado, punção.
- Derrame articular: melhor visto no recesso posterior, na fossa do olécrano, com o cotovelo em flexão.
Erros comuns
- "Epicondilite" sem dizer se há ruptura parcial e de que extensão.
- Não avaliar o nervo ulnar dinamicamente, perdendo a subluxação.
- Ruptura de bíceps sem medida da retração e sem citar o lacertus fibroso.
- Omitir a comparação com o lado contrário quando o achado é discreto.
- Não pesquisar derrame no recesso posterior.
Veja também o nosso guia do ultrassom musculoesquelético.
Como o Laudário ajuda
No modelo de cotovelo do Laudário, com lateralidade:
- Tendões, ligamentos, nervo ulnar e bursas organizados por compartimento.
- A conclusão é montada a partir dos achados marcados.
- Recomendações em aba própria.
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