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PAAF de tireoide guiada por ultrassom: quando indicar pelo ACR TI-RADS e ATA, técnica, Bethesda e registro

Quando indicar a PAAF de tireoide pelo ACR TI-RADS, pela ATA e pela ETA, como fazer a punção guiada por ultrassom, o que significa cada categoria de Bethesda e o que registrar no laudo do procedimento.

LaudárioLaudos de ultrassom na prática 1 de novembro de 2026 5 min de leitura

A PAAF de tireoide guiada por ultrassom é indicada pelo padrão ecográfico somado ao tamanho do nódulo: no ACR TI-RADS, a partir de 1 cm em TR5, 1,5 cm em TR4 e 2,5 cm em TR3. A ATA e a ETA usam cortes parecidos, mas não iguais, e o laudo precisa dizer qual sistema foi aplicado. A classificação do nódulo é assunto do texto sobre ultrassom de tireoide e TI-RADS; aqui o foco é a punção.

Quando indicar pelo ACR TI-RADS

CategoriaPontosPAAFSeguimento
TR1 e TR20 e 2nãonão
TR33a partir de 2,5 cma partir de 1,5 cm
TR44 a 6a partir de 1,5 cma partir de 1 cm
TR57 ou maisa partir de 1 cma partir de 0,5 cm

O ACR orienta descrever até quatro nódulos, escolhidos pela pontuação e não pelo tamanho, e puncionar no máximo os dois de maior pontuação.

Quando indicar pela ATA e pela ETA

ATA 2015Risco estimadoPAAF
Alta suspeitaacima de 70 a 90%a partir de 1 cm
Suspeita intermediária10 a 20%a partir de 1 cm
Baixa suspeita5 a 10%a partir de 1,5 cm
Muito baixa suspeitaabaixo de 3%considerar a partir de 2 cm, ou observar
Cisto puropróximo de 0%não indicada

A ETA 2023, com o EU-TIRADS, usa acima de 10 mm na categoria 5, 15 mm na 4 e 20 mm na 3. Ela indica punção em qualquer tamanho quando há linfonodo patológico ou suspeita de extensão extratireoidiana, e nódulo hiperfuncionante em geral não é puncionado. Linfonodo suspeito também é puncionado, com dosagem de tireoglobulina no lavado se houver suspeita de carcinoma diferenciado.

Atenção à atualização: a diretriz da ATA de 2025 trata só do câncer diferenciado, e a ATA abriu para comentários, em 2026, um rascunho específico sobre nódulos. Não localizamos a versão final publicada; vale conferir antes de citar a ATA 2015 como vigente.

Técnica da PAAF de tireoide

  • Punção sob visão ecográfica em tempo real, por capilaridade ou sucção (ETA).
  • Agulha fina, tipicamente 25 ou 27 G.
  • Em nódulo misto, mire o componente sólido.
  • Não há número único de passagens. Um ensaio randomizado de 2023 não mostrou efeito do número de passagens na adequação em nódulos sólidos.
  • Coagulopatia grave contraindica. Para a ETA, anticoagulação com INR abaixo de 3 não contraindica, e antiagregante não é contraindicação absoluta.
  • O hematoma é a complicação mais comum, em geral sem sintomas; hematoma retrofaríngeo é raro, mas pode ser grave.

Bethesda 2023: o que volta da citologia

CategoriaRisco médio (faixa)Conduta usual
I Não diagnóstico13% (5 a 20%)repetir a PAAF guiada
II Benigno4% (2 a 7%)seguimento clínico e ecográfico
III Atipia de significado indeterminado22% (13 a 30%)repetir, teste molecular, cirurgia diagnóstica ou vigilância
IV Neoplasia folicular30% (23 a 34%)teste molecular, hemitireoidectomia diagnóstica
V Suspeito de malignidade74% (67 a 83%)teste molecular, hemitireoidectomia ou tireoidectomia
VI Maligno97% (97 a 100%)hemitireoidectomia ou tireoidectomia

A própria edição de 2023 lembra que a citologia isolada não define a conduta. A ETA considera repetir a punção após resultado não diagnóstico, Bethesda III, discordância entre ultrassom de alto risco e citologia benigna ou crescimento significativo.

O que o laudo deve trazer

  • Nódulo-alvo: lobo, terço, medidas e categoria, com o sistema usado.
  • Orientação por ultrassom em tempo real e calibre da agulha.
  • Número de passagens por alvo e aspecto do material.
  • Volume aspirado em componente cístico.
  • Número de lâminas, fixador e material enviado.
  • Intercorrências ou a ausência delas.

Erros comuns

  • Escolher o nódulo pelo tamanho, e não pela pontuação.
  • Indicar PAAF sem citar o sistema de classificação.
  • Puncionar o centro cístico e deixar o componente sólido de fora.
  • Esquecer os linfonodos cervicais antes da punção.
  • Não identificar qual nódulo foi puncionado, o que impede correlacionar com a citologia.

Veja também o texto sobre ultrassom cervical e linfonodos.

Como o Laudário ajuda

No Laudário, a punção tem modelo próprio:

  • Modelo de PAAF com alvos adicionados um a um: estrutura, localização, medida, classificação, punções, aspecto e volume do material.
  • Calibre da agulha, intercorrências e aba Solicitação para o pedido citopatológico.
  • No modelo de tireoide, o ACR TI-RADS é calculado por pontos e mostra se a PAAF está indicada pelo maior eixo.

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Referências

Tessler FN et al. ACR TI-RADS. J Am Coll Radiol 2017. Haugen BR et al. Thyroid 2016 (ATA 2015). Durante C et al. Eur Thyroid J 2023 (ETA). Ali SZ et al. The 2023 Bethesda System. Thyroid 2023.

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Quem escreve Dr. Leander Maguetas CRM-SP 224546 · RQE 132630 · Ultrassonografia geral

Médico com RQE em ultrassonografia geral. Escreve no blog do Laudário sobre laudos, classificações e padronização. Quem escreve e como.

Conteúdo educativo para profissionais de saúde. Não substitui o julgamento clínico nem as diretrizes adotadas pelo seu serviço. Política editorial.

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