Laudário

Densitometria óssea: T-score, Z-score e como laudar pela OMS e pela ISCD

Quando usar o T-score e quando usar o Z-score, quais sítios valem para o diagnóstico, quando excluir uma vértebra e como comparar exames sem confundir variação do aparelho com perda óssea.

LaudárioLaudos de ultrassom na prática 29 de setembro de 2026 3 min de leitura

A densitometria óssea (DXA) parece o exame mais simples de laudar: o aparelho entrega os números e a classificação sai sozinha. Na prática, é onde mais aparecem erros que mudam conduta. Z-score usado em mulher na pós-menopausa, osteoporose diagnosticada numa vértebra com fratura, "perda óssea" que é só a variação do aparelho. O laudo bom de densitometria é aquele que escolhe o número certo para o paciente certo.

Este texto resume as regras da Organização Mundial da Saúde (OMS) e as posições oficiais da International Society for Clinical Densitometry (ISCD) que mais aparecem no dia a dia.

T-score ou Z-score: depende de quem é o paciente

O T-score compara a densidade do paciente com a de adultos jovens do mesmo sexo. O Z-score compara com pessoas da mesma idade e sexo. Cada um serve a um grupo:

  • T-score: mulheres na pós-menopausa ou na transição menopausal e homens com 50 anos ou mais. É nele que se aplica a classificação da OMS.
  • Z-score: mulheres antes da menopausa, homens com menos de 50 anos e crianças e adolescentes. Nesses grupos, a classificação da OMS não se aplica.

Em quem usa Z-score, o valor igual ou abaixo de -2,0 é descrito como "abaixo da faixa esperada para a idade", e não como osteoporose. Em crianças, o diagnóstico de osteoporose exige também história de fratura clinicamente significativa.

A classificação da OMS

Para quem usa T-score, a classificação é feita pelo menor T-score entre os sítios válidos:

  • Normal: T-score igual ou acima de -1,0.
  • Baixa massa óssea (osteopenia): T-score entre -1,0 e -2,5.
  • Osteoporose: T-score igual ou abaixo de -2,5.
  • Osteoporose estabelecida (grave): T-score igual ou abaixo de -2,5 com fratura por fragilidade.

Quais sítios valem

O diagnóstico usa a coluna lombar (L1 a L4), o colo femoral e o fêmur total. Triângulo de Ward e trocanter isolado não entram no diagnóstico. O rádio 33% (terço distal) do antebraço não dominante é usado quando a coluna ou o fêmur não podem ser medidos ou interpretados, no hiperparatireoidismo e em obesidade acima do limite da mesa do aparelho.

Quando excluir uma vértebra

Artrose, osteófitos, fratura, calcificação da aorta e material cirúrgico aumentam falsamente a densidade da vértebra. A ISCD orienta excluir a vértebra afetada e manter pelo menos duas na análise. Um sinal prático de vértebra alterada é a diferença de mais de 1,0 no T-score em relação à vértebra vizinha. Se sobrar só uma vértebra válida, a coluna não deve ser usada para o diagnóstico.

O laudo deve dizer quais vértebras foram consideradas. "Coluna lombar (L1 a L3)" é uma informação que o próximo exame precisa para comparar o mesmo segmento.

Comparando com o exame anterior

Toda medida tem um erro de precisão. Por isso a ISCD recomenda que cada serviço calcule a sua variação mínima significativa (LSC, least significant change). Uma diferença menor que a LSC não pode ser chamada de ganho nem de perda. Regras para comparar com segurança:

  • Comparar a densidade em g/cm², não o T-score.
  • Comparar o mesmo sítio e as mesmas vértebras.
  • Só comparar exames do mesmo aparelho (ou com calibração cruzada documentada).
  • Informar a variação em g/cm² e em porcentagem, e se ela supera a LSC.

O que o laudo precisa ter

  • Aparelho e sítios avaliados, com as vértebras consideradas.
  • Densidade (g/cm²), T-score e/ou Z-score de cada sítio, conforme o perfil.
  • Classificação da OMS (ou a frase do Z-score) pelo menor valor válido.
  • Limitações técnicas que interferem no resultado.
  • Comparação com o exame anterior, quando houver, pela LSC.

Erros comuns

  • Usar Z-score em mulher na pós-menopausa, ou T-score em mulher jovem.
  • Chamar de osteoporose um Z-score baixo em paciente jovem.
  • Manter na análise vértebra com fratura ou artrose importante.
  • Comparar T-scores em vez de g/cm², ou exames de aparelhos diferentes.
  • Diagnosticar pelo triângulo de Ward.

Como o Laudário ajuda

No módulo de densitometria do Laudário:

  • O sistema escolhe o T-score ou o Z-score pelo perfil do paciente.
  • A classificação da OMS e os critérios da ISCD são aplicados na impressão diagnóstica.
  • Recomendações em aba própria, separadas dos achados.

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