Core biopsy e clipagem de mama guiadas por ultrassom: o que registrar no laudo
Indicações da biópsia percutânea por agulha grossa guiada por ultrassom, quando colocar o clipe metálico, como documentar a agulha na lesão, o número de fragmentos, a correlação radiopatológica e o que o laudo do procedimento precisa conter.
Este artigo faz parte do guia Classificações padronizadas no laudo: o guia de BI-RADS, TI-RADS e O-RADS.
A biópsia percutânea por agulha grossa (core biopsy) guiada por ultrassom é o método de escolha para investigar nódulos mamários suspeitos. O laudo do procedimento é um documento clínico e também um registro de qualidade: precisa permitir que outro médico saiba exatamente qual lesão foi biopsiada, como, e se o resultado da patologia faz sentido com a imagem.
Indicações
- Lesões BI-RADS 4 e 5 visíveis ao ultrassom.
- Algumas lesões BI-RADS 3, quando há indicação clínica (desejo da paciente, impossibilidade de seguimento, planejamento de gestação ou cirurgia).
- Linfonodos axilares suspeitos, no estadiamento.
Técnica e documentação
- Consentimento, assepsia e anestesia local.
- Agulha de grosso calibre (em geral 14G), com trajeto o mais paralelo possível à parede torácica.
- Imagens que documentem a agulha antes e depois do disparo, atravessando a lesão, de preferência em dois planos.
- Número de fragmentos suficiente para o diagnóstico, em geral entre três e cinco, de regiões diferentes da lesão.
- Avaliação dos fragmentos (se afundam no soro, se são íntegros) como indicador de amostra adequada.
Quando colocar o clipe
O clipe metálico marca o local da lesão para que ela possa ser encontrada depois. É indicado quando:
- A lesão é pequena e pode deixar de ser vista após a biópsia.
- A paciente vai fazer quimioterapia neoadjuvante, que pode fazer a lesão desaparecer.
- Há várias lesões e é preciso identificar qual foi biopsiada.
Após a colocação, a posição do clipe é conferida no ultrassom e, em geral, numa mamografia, porque o clipe pode migrar. A distância entre o clipe e a lesão deve ser registrada.
Correlação radiopatológica
O resultado da patologia precisa ser concordante com a imagem. Um nódulo BI-RADS 5 com resultado benigno é discordante e exige nova biópsia ou excisão. Esse passo é responsabilidade de quem fez a biópsia e deve constar no seguimento.
O que o laudo do procedimento deve trazer
- Indicação e categoria BI-RADS da lesão.
- Localização da lesão (lado, quadrante ou posição horária, distância da papila) e medidas.
- Consentimento, assepsia e anestesia.
- Calibre da agulha, número de fragmentos e via de acesso.
- Confirmação da agulha na lesão.
- Clipe: se foi colocado, tipo e posição final.
- Intercorrências (hematoma, sangramento, reação vasovagal) e orientações.
- Recomendação de correlação com o resultado anatomopatológico.
Erros comuns
- Não registrar a posição horária e a distância da papila.
- Faltar a imagem da agulha atravessando a lesão.
- Não informar o número de fragmentos.
- Colocar clipe sem conferir e registrar a posição final.
- Aceitar um resultado benigno discordante sem recomendar nova abordagem.
Veja também o nosso texto sobre o BI-RADS no ultrassom de mamas.
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